Alegoria a África

Coenradt Lauuers, a partir de Louis Licherie de Beurie

Paris, oficina de Pierre Landry, 2.ª metade do século XVII

Gravura a buril e colorida à mão

Inscrição: “Lichery delin/ C. Lauuers Sculp” e “Parisiis Apud Pet: Landry. Viâ Iacobaea. Sub Signus Francois (…) Cu.pri Regis”

Proveniência: antigo Paço Episcopal (?)

Inv. 6016

Gravura de grande formato, ocupando a superfície de três folhas de papel coladas entre si, com composição alegórica alusiva ao continente africano. A composição é dominada por um cortejo de uma figura feminina, personificando a Africa, possuindo uma cabeça de elefante a cobrir-lhe a cabeça e erguendo um escorpião, como atributos. A figura desfila em carro triunfante conduzido por um elefante e uma parelha de rinocerontes, sob o comando do cornaca que segue no dorso do elefante. Em primeiro plano, evidencia-se um rinoceronte que segue de perto o célebre desenho de Albrecht Dürer.

As diversas inscrições que possui revelam os nomes de Louis Licherie de Beurie (1629-1687), discípulo do pintor régio na corte de Luís XIV, Charles Le Brun, com quem colaborou na manufatura de tapeçarias de Gobelins, na execução de cartões a partir de obras do mestre, do gravador Lauuers Coenradt e de Pierre Landry (1650-1701), um prestigiado gravador e editor parisiense, com oficina na rua de Saint Jacques, remetendo a produção desta gravura para um contexto artístico extraordinário, de difusão e de exaltação do poder promovido pelo Rei-Sol, Luís XIV.