Apologia para Guilherme em imagens

No Ano Europeu do Património Cultural, o Museu de Lamego e o projeto Vale do Varosa propuseram um acontecimento singular, a reconstituição histórica da leitura da carta de São Bernardo da Claraval ao abade Guilherme, na ruína da Sala do Capítulo do Mosteiro de São João de Tarouca.

Guilherme foi abade de Cluny. A Ordem Cluniacense resultou de uma reforma da Ordem Beneditina, da qual, por sua vez, saiu a reforma de Cister. No século XII a Ordem de Cluny teve um papel de grande poder e influência quer espiritual quer temporal em toda a Europa, tendo a jovem reforma cisterciense tido em Cluny o seu maior entrave. Apesar de a Ordem de Cister ter sido fundada em 1098 por Roberto de Molesme, originalmente monge de Cluny, apenas na primeira metade de século XII teve em São Bernardo, abade de Claraval, o seu grande ideólogo, definindo a ideologia, espiritualidade e estética de Cister em contraposição a Cluny, primando a diferença pelo retorno à simplicidade e austeridade original da Regra de São Bento. Esta afirmação em relação a Cluny foi sobretudo firmada em várias cartas que São Bernardo escreveu a Guilherme, nas quais, criticando a opulência de Cluny e os seus desvios em relação à regra original de São Bento, acabou por definir as principais linhas orientadoras da Ordem de Cister.

Até agora nunca apresentado cenicamente, este foi um projeto inédito que recriou o momento da leitura de um texto quase milenar, que no século XII foi lido em todos os mosteiros cistercienses.

O evento começou, no entanto, bem antes, com uma visita a todo o complexo monástico de São João de Tarouca, incluindo ainda uma ceia monástica na Casa do Paço (Tarouca).