Bilhas dos Santos Óleos

Porto, séc. XVIII (último quartel)

Marcas: P, coroado atribuível ao ensaiador José Coelho Sampaio; IRC do ourives João Rodrigues da Costa Negreiros

Prata fundida, cinzelada, relevada e incisa

Proveniência: Mitra episcopal de Lamego

Invs. 166 e 167             

Como o nome indica, as bilhas dos Santos Óleos destinam-se a reservar os óleos sagrados, benzidos na cerimónia da Bênção dos Santos Óleos, realizada nas catedrais na Quinta-Feira Santa.

Os modelos do museu caraterizam-se por uma grande elegância formal, com as superfícies lisas, despojadas de ornamentação, que se cinge a discretos gravados, de inspiração rocaille, no rebordo da base, colo – que exibe cercadura com trecho arquitetónico oriental, motivos aconcheados, volutas e segmentos de grinaldas – e na tampa, em charneira, rematada por botão e decorada com sequência de rosas e concheados. A decoração relevada, de volutas e folhas, ficou reservada apenas à asa, em forma de “C”.

Em termos formais, as bilhas são exemplo da apropriação de uma linguagem própria de modelos de olaria popular, numa solução que constitui uma originalidade da ourivesaria portuguesa.