Capela de São João Evangelista

Trabalho português, séc. XVIII (1774)

Madeira entalhada, dourada e policromada

Proveniência: Extinto Mosteiro das Chagas, Lamego

Inv. 123

A capela de São João Evangelista era a maior e mais valiosa de todas que existiam no claustro do extinto Mosteiro das Chagas, em Lamego. Após a extinção do mosteiro e antes da decisão da demolição do edifício, três capelas (de um conjunto de nove) e respetivas esculturas que se encontravam no claustro, passaram para o Museu.

Apesar de não se encontrar datada, sabe-se que terá sido renovada nos inícios do século XVIII.

Nesta capela, que é simultaneamente santuário de relíquias, é reveladora uma das noções mais caras à estética do barroco, relacionada com a ideia de «obra de arte total». Nela se reúnem não só as artes ditas «maiores» (arquitetura, escultura e pintura), como também é criado um efeito de ilusão e ambiguidade nessa mesma associação. O mesmo será dizer, que não é imediatamente percetível determinar com precisão onde acaba a arquitetura e começa a escultura; ou, onde acaba a escultura e começa a pintura.

No altar principal, a ladear a imagem do padroeiro, painéis decorados com baixos-relevos a ilustrar episódios da vida de São João Evangelista e, nas laterais, albergadas em nichos, esculturas representado diversos santos com indumentárias profusamente decoradas e de rica policromia, constituem um valioso testemunho da produção de escultura devocional em Portugal, durante o período da contrarreforma.

O discurso de «horror ao vazio» e densidade iconográfica desta estrutura, de afinado sentido cenográfico, completa-se no revestimento em talha dourada, no qual predominam fénix, acantos e flores que acentuam o caráter iminentemente simbólico de todo o espaço: as fénix são símbolos da ressurreição e do triunfo da vida sobre a morte e como tudo que tem espinhos, fez-se do acanto símbolo da terra virgem e da própria virgindade, remetendo-nos, bem como as flores, para as virtudes da Virgem Maria.