Estudo sobre caminhos de ferro vence Prémio Manuel Coutinho

“Caminhos de ferro Porto-Salamanca: dinâmicas territoriais no traçado desativado” é o título da dissertação de mestrado, da autoria Jaime Augusto Jesus Cunha, que venceu a edição 2013-2014 do Prémio Manuel Coutinho. Ao todo foram sete as candidaturas, numa iniciativa que resulta de uma parceria da Quinta de Mosteirô com o Museu de Lamego e o projeto “Vale do Varosa”, da responsabilidade da Direção Regional de Cultura Norte.

O trabalho vencedor reuniu consenso entre o jurí, que integrou da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego a Doutora Isabel Vieira (Turismo e Património), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto o Doutor Nuno Resende (História), do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra a Doutora Lídia Catarino (Conservação de Líticos), da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto o Doutor Aníbal Costa (Técnicas Tradicionais de Construção) e da Direção Regional de Cultura do Norte o Doutor David Ferreira (Salvaguarda Patrimonial).

A cerimónia de entrega do Prémio Manuel Coutinho 2013-2014 decorrerá no dia 25 de outubro de 2014, integrado na segunda edição das Conferências do Museu de Lamego, que decorrerá no Museu de Lamego nos dias 24 e 25 de outubro.

Prémio Manuel Coutinho 2014, que premeia trabalhos académicos na área de História, Arqueologia, Etnologia e Património, relacionados com a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, faz parte das Iniciativas Manuel Coutinho, lançadas pela Quinta de Mosteirô em Outubro de 2012, e que pretendem criar uma plataforma de apoio a ações e projetos de várias índoles que fomentem, direta ou indiretamente, o desenvolvimento cultural e económico da região.

O valor do prémio corresponde a 5% do valor das vendas dos vinhos da marca Pé Posto (produzidos pela Quinta de Mosteirô) no período de 1 de outubro de 2012 a 30 de setembro de 2014. Os vinhos Pé Posto, inspirados em castas históricas, são uma homenagem a Cister, ao Mosteiro de São João de Tarouca e à Quinta de Mosteirô, pelo seu papel histórico na imposição do Douro como região vinícola de qualidade superior.

RESUMO DO TRABALHO VENCEDOR:

“Portugal possui numerosíssimos percursos ferroviários que percorrem regiões de grande valor paisagístico, histórico e cultural. Contudo, várias vias férreas começaram a ser desativadas, contribuindo para a desertificação progressiva em que se encontra o interior do país. A suspensão de diferentes percursos ferroviários deixa a população local desapoiada por não cumprir com a função principal: a mobilidade. Não foram pensadas medidas de desenvolvimento local para compensar a quebra de dinamismo que as desativações trouxeram, estando estas infraestruturas e as regiões a elas associadas a decair a olhos vistos.

O apreço por estes locais riquíssimos que têm sido deixados ao abandono conduzem este estudo que visa identificar as razões que levaram ao encerramento das vias férreas. A degradação destas infraestruturas é irreversível; arruínam-se os acessos locais, extingue-se a vizinhança e a região, sujeita a um confinamento sociocultural, fecha-se sobre si mesma. Esta estagnação acentua-se com o tempo convertendo um local que outrora acolheu muitos num território despovoado. Deve ser reduzida a segregação de um país, de uma comunidade, de uma península, para que as melhorias necessárias ocorram através da definição de uma estratégia que benfeitorize as relações transfronteiriças e evidencie os valores coletivos, o património e a identidade local. Deve ser questionada a situação atual dos troços desativados e de que forma estes podem oferecer apoio às comunidades locais e seu desenvolvimento.

A linha do Douro é um destes percursos que carece de uma merecida atenção não só pelas valências existentes nos lugares que atravessa como também pelos grandes contrastes que as suas paisagens oferecem. As potencialidades subjacentes a estas características possuem relevância suficiente para se tornarem motor de desenvolvimento das regiões interiores. O estudo centra-se no troço desativado entre as estações do Pocinho e Fuente San Esteban, sendo proposta uma intervenção baseada na análise das potencialidades locais adjacentes à linha de caminho de ferro. Esta infraestrutura surge como elemento agregador de um sistema de elementos dinamizadores da região economicamente autónomo, contribuindo para uma perceção global da diversidade existente ao longo do seu traçado que se encontra em extinção”.

Jaime Augusto Jesus Cunha (2012). “Caminhos de ferro Porto-Salamanca: dinâmicas territoriais no traçado desativado”. Dissertação de Mestrado em Arquitetura. Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.