Figuras de movimento

Rafael Bordalo Pinheiro

Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha,

Ovarina (1907) e Polícia (1906)

Barro vidrado e policromado

Proveniência: Doação de Maria Virgínia de Magalhães da Silveira Montenegro Flórido

Invs. 2942 e 2943

De gosto assumidamente português e comprometidas socialmente com a realidade do país, as figuras de movimento, com um sistema de engonço que permite articular a cabeça, o tronco e as pernas, constituem uma marca de originalidade imprimida por Rafael Bordalo Pinheiro à cerâmica portuguesa de transição do século XIX para o XX. Nascido em Lisboa, em 1846, no seio de uma família de artistas, Bordalo Pinheiro, em 1883, no auge da sua carreira como caricaturista e ilustrador, aceita dirigir o setor técnico e artístico da recém-fundada Fábrica de Faianças, em Caldas da Rainha. Aí viria a desenvolver uma fecunda e criativa atividade de ceramista influenciada pelos diversos figurinos estéticos coevos, mas sobretudo, por correntes naturalistas, às quais empresta a uma visão acutilante sobre a sociedade. Começaria então a produção de várias tipologias de caráter popular e social que possuíam, como nota preponderante, o sarcasmo, o humor, a graça e vivacidade com que Rafael caricaturava ou simplesmente reproduzia personagens e costumes da época: a “Maria Paciência”, a “Velha Maria”, a “Ama das Caldas”, o “Estudante”, o “Padre”, o “Sacristão”, o “Peixeiro”, o “Padeiro”, o “Forcado”, a “Fadista”, a “Ovarina” e o “Polícia”, entre outros. Os exemplares do Museu foram produzidos nos dois anos seguintes à morte de Bordalo Pinheiro (ocorrida em 1905), certamente, a partir dos moldes do mestre e pelo mesmo pessoal que trabalhava na fábrica, nessa altura, já, sob a direção de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, seu sucessor.