Museu entrega primeiros materiais ao EPHEMERA

Ao todo já são mais de seis quilómetros de estantes. Todas reúnem livros, documentos e objetos que compõem o Ephemera, Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira. Esta terça-feira, 15 de novembro, no Museu de Lamego, voluntários, doadores e público em geral reuniram-se para uma conversa informal sobre o arquivo privado que se assume como o mais público de Portugal. Na primeira pessoa, Pacheco Pereira mostrou porque “interessa tudo” ao Ephemera.

E “interessa tudo”, de forma a combater o caráter efémero das coisas que, depois de contextualizadas, permitem um (re)leitura da História. Daí, o Ephemera não se ficar pelos livros e documentação, mas ir à procura daquilo que os arquivos tradicionais não conseguem processar. Pins, t-shirt’s, autocolantes, calendários, canetas, tudo relacionado com a história política contemporânea, integram uma coleção que faz lembrar, como referiu, os gabinetes de curiosidades em voga no século XVIII.

E mais que livros, Pacheco Pereira lembra que, “de modo geral, os papéis são mais importantes que os livros”, por todo o potencial de informação que encerram.

O Ephemera é o resultado das coleções de três bibliófilos e das doações que chegam de todo o país. As poucas aquisições feitas são extremamente seletivas e procuram “o que não entrou em Portugal” ao longo de cerca de 40 anos. Por isso, a Ephemera possui hoje materiais de arquivo e coleções únicas no país.

Na conversa no Museu de Lamego, que se prolongou por mais de uma hora e meia, ficou a garantia feita aos doadores, de que após a doação o acesso é total aos materiais. Estes passam por um processo de limpeza e inventariação, realizado por voluntários, para finalmente poderem ser disponibilizados no site da Ephemera.

Apesar de no site estar apenas dez por cento do material reunido no Ephemera, o objetivo é torná-lo todo acessível a investigadores e curiosos. Quem navega no site, percebe ainda que o Ephemera é um arquivo também de natureza internacional e que as várias pastas temáticas criadas online nunca ficam encerradas e vão integrando novos materiais.

No final da sessão, simbolicamente, o Museu de Lamego entregou os primeiros materiais reunidos pelo museu desde o dia 29 de setembro, dia da assinatura do protocolo entre o arquivo e biblioteca de Pacheco Pereira e o Museu de Lamego. Entre os materiais recolhidos, a doação dos colaboradores do Museu de Lamego, que assim se juntam ao Ephemera. Para breve, uma exposição sobre Censura no Museu de Lamego.

Especializada em política e história política do século XIX a XXI, o arquivo recebe espólios, acervos, livros, periódicos, manuscritos, panfletos, fotos e objetos, que torna depois acessíveis em https://ephemerajpp.com.