Santa Clara tomando o hábito

Anónimo, séc. XVII (2.ª metade)

Pintura a óleo sobre tela

Proveniência: extinto Mosteiro das Chagas de Lamego

Inv. 122/20

De entre as numerosas pinturas que animam a capela de São João Batista, um exemplar do século XVII, proveniente do claustro do desaparecido mosteiro das clarissas de Lamego (Mosteiro das Chagas), e que se encontra montada no museu, adquire especial simbolismo como testemunho do percurso terreno da fundadora da Ordem, uma tela representando Santa Clara tomando o hábito.

Nela se representa o episódio descrito pelo biógrafo Tomás de Celano, na Legenda Santa Clarae, publicada em 1256 e principal fonte da santa: chegada a Santa Maria de Porciúncula, Clara foi recebida … pelos irmãos reunidos em oração à volta do altar, … foi ali que os irmãos lhe cortaram os cabelos e ela abandonou nas suas mãos todas as jóias e adornos. Clara surge com grande dignidade, ajoelhada e com as mãos juntas ao nível da cintura, no ato de desabotoar o vestido. Apresenta o cabelo preso enfeitado com um diadema, o rosto oval de tez branca e olhar baixo; usa um sumptuoso vestido de mangas amplas com padrão de inspiração vegetalista, complementado por gorjeira cingida ao pescoço, a sublinhar a origem social da santa. A santa é rodeada, à esquerda, por um frade que lhe corta a cabeleira e dois anjos, um segurando, dobrado, o “hábito da penitência” e o outro, erguendo uma grinalda de flores sobre a cabeça de Clara.