“Três Cidades de Marrocos” de Vergílio Correia no CICLO DE FOTOGRAFIA do Museu de Lamego

Inserida no ciclo de fotografia do Museu de Lamego e Vale do Varosa, a exposição “Três Cidades de Marrocos” evoca o livro com o mesmo nome de Vergílio Correia (1888-1944), resultante da viagem de estudo, que o investigador e historiador de arte realiza a Marrocos, em 1923, destinada a observar a influência mauritanense sobre arte portuguesa do começo do século XVI.

Em junho de 2019, os fotógrafos Manuela Matos Monteiro e João Lafuente revisitam Azamor, El Jadida (antiga Mazagão) e Safi, as três cidades marroquinas, para uma exposição que põe em relevo o diálogo entre as fotografias tiradas por Vergílio Correia durante a sua viagem e o registo contemporâneo dos dois fotógrafos, Embaixadores do Museu de Lamego e responsáveis pela curadoria das quatro exposições que integram a edição do ciclo de fotografia deste ano.

Figura ímpar da cultura portuguesa do século XX, nos domínios da história da arte, arqueologia e etnografia, Vergílio Correia deixou um legado imenso e incontornável. No ano em que se celebram os 500 anos da viagem da circum-navegação, sublinham-se as facetas de viajante e fotógrafo do investigador, que nutria especial afeto por Lamego. Responsável por algumas das obras de maior referência e decisivas para a história da arte da cidade e região envolvente, por feliz coincidência, a obra Artistas de Lamego é publicada em 1923, no mesmo ano em que viaja a Marrocos, datando do ano seguinte livro que permitiu comprovar a autoria das pinturas que pertenceram à catedral de Lamego, Vasco Fernandes: Mestre do retábulo da Sé de Lamego (1924).

Vergílio Correia, que se considerava filho adoptivo de Lamego, onde aliás passava largas temporadas na quinta que possuía na Penajóia, era, nas décadas de 1920-40, uma presença assídua no Museu de Lamego, a pretexto das suas pesquisas e da amizade que o unia ao antigo diretor do museu, João Amaral, que os levava a calcorrear juntos a região de lés-a-lés.

Com inauguração marcada para o dia 19 de outubro, dia do seu aniversário de nascimento, a exposição ficará patente no Museu de Lamego até 23 de fevereiro de 2020, estando prevista a sua itinerância ao Museu Monográfico de Conímbriga – Museu Nacional, seguindo depois para Marrocos, onde será apresentada em Rabat, El Jadida e Safi.

A exposição resulta de protocolo entre a Direção Regional de Cultura do Norte – Museu de Lamego e Galeria MIRA FORUM, com as entidades que integram o Centro de Estudos Vergílio Correia (CEVC) – Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, Associação Ecomuseu de Condeixa e Família de Vergílio Correia, cuja assinatura terá lugar durante a cerimónia de inauguração.

O Museu de Lamego e os curadores da exposição viajaram a Marrocos com o apoio da Embaixada de Portugal em Marrocos e das Direções Regionais de Cultura de Azamor e El Jadida e de Safi.