Virgem do Ó (ou da Expectação)

Mestre Pero (atrib.), c.1330-1340

Pedra de Ançã

Proveniência: Igreja do Mosteiro de São João de Tarouca

Inv. 129

As imagens da Virgem do Ó, também conhecidas como Nossas Senhoras da Expectação, da Esperança ou Pejadas, são um bom exemplo da humanização da maneira de representar e de pensar a figura divina, que marcou a arte gótica. A atitude amaneirada, movimentada em ritmo de contracurva, as vestes pregueadas e dinamizadas pela atitude do corpo e pelo ventre rotundo, sobre a qual a Virgem pousa a mão direita, conferem a esta imagem uma expressiva plasticidade e um elevado sentido de humanidade.

O tema da Virgem grávida de Jesus após a Anunciação gozou de grande devoção em Portugal e em Espanha, sobretudo em tempos do gótico, ainda que o culto se tenha iniciado muito antes, no século VII, durante o X Concílio de Toledo, quando foi decretada a celebração da expectação da Virgem, a decorrer nos oito dias que precediam o nascimento do Menino. Durante as festividades eram entoadas antífonas em louvor da Virgem, que começavam com o exclamativo «Ó», nome pelo qual passaram a designar-se as celebrações e, por extensão, as imagens evocadas durante as mesmas.

Datada entre 1330 e 1340, está atribuída a Mestre Pero, escultor da Corte de provável origem catalã, autor das Virgens do Ó da Sé de Coimbra e do Museu Nacional de Arte Antiga e, eventualmente, do túmulo de Isabel de Aragão, a Rainha Santa, em Santa Clara-a-Velha, Coimbra.