Visita orientada ao espólio do Mosteiro das Chagas de Lamego

O dia que assinalou os 430 anos da fundação do Mosteiro das Chagas de Lamego arrancou no Museu de Lamego com uma visita partilhada. Ao longo de cerca de uma hora, os presentes ouviram, na primeira pessoa, três formas distintas de relacionamento com o espólio remanescente do mosteiro, à guarda do museu.

Aquele que chegou a ser considerado um dos mais ricos e opulentos do Norte de Portugal foi apresentado numa perspectiva que reflete o percurso pessoal de cada um dos colaboradores do museu.

O programa, mais vasto, numa iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lamego, incluiu ainda uma missa solene, concerto, uma palestra pela Diretora do Museu de Lamego e exposição.

Casa de clarissas ao longo de mais de 300 anos, o Mosteiro das Chagas acabou por encerrar as portas em 1906, com a morte da última religiosa, na sequência da extinção das Ordens Religiosas decretada, em 1834. A República ditaria a sua nacionalização e mais tarde a decisão de demolir o mosteiro para a construção do Liceu Nacional Latino Coelho, atual Escola Secundária Latino Coelho.

Fundado no dia 25 de novembro de 1588 pelo bispo D. António Teles de Meneses, no antigo Campo do Tablado, a primeira comunidade integrou um grupo de sete clarissas, provenientes do Convento de Monchique, da cidade do Porto, todas irmãs desse prelado.

Já após a decisão de demolir o mosteiro para a construção do Liceu de Lamego, deram entrada no Museu de Lamego algumas das capelas instituídas no claustro do Mosteiro ao longo dos séculos XVII e XVIII, bem como os respetivos recheios de escultura. A igreja foi mais tarde entregue à Santa Casa da Misericórdia, na sequência do grande incêndio que em 1911 devorou a rua de Almacave.